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Valência – um passo no desconhecido


A pausa estival do Iberian Supercars e Supercars Jarama RACE está a chegar ao seu fim com a visita ao Circuit Ricardo Tormo, Valência, um traçado que é uma estreia, do qual tentamos desvendar alguns segredos e características com a ajuda de diversos especialistas.

 

O traçado espanhol é um dos mais conhecidos do mundo, tendo sido usado pela GP2 (a antecessora da Fórmula 2), MotoGP, sendo o palco do Grande Prémio da Comunidade Valenciana desde 1999, e mesmo a Fórmula 1 usou-o como centro de testes ao longo de inúmeros anos, até que os ensaios privados foram ferozmente limitados no final de 2009.

 

Porém, só em 2024 o Circuit Ricardo Tormo, o nome de um antigo piloto de motociclismo oriundo de Valência, chega ao calendário do Iberian Supercars e Supercars Jarama RACE, sendo uma novidade.

 

Claro que a maior parte dos pilotos e equipas que participam na competição ibérica já lá competiram em outras categorias, mas não deixa de ser uma visita ao desconhecido que poderá causar algumas surpresas, dado o seu traçado ter algumas particularidades, como é apontado por José de los Milagros, piloto da BMW Motorsport España: “é um circuito que se realiza no sentido contrário dos ponteiros do relógio, não há muitos assim. Isso torna difícil a sua adaptação, conseguir uma boa afinação, gerir o desgaste dos pneus e foi também reasfaltado recentemente”.

 


Borja Hormigos, que defende as cores da Autoworks Motorsport aos comandos de um BMW M4 GT4 (F82), alude a outra característica ‘sui-generis’ que é de grande agrado por parte dos adeptos: “é uma pista muito plana em que o público pode ver todo o traçado desde qualquer ponto”, ideia que é reforçado por José de los Milagros: “para os espectadores, vê-se todo o circuito a partir de qualquer bancada, é como um estádio de futebol. Não é como as outras pistas em que só se vê a curva onde nos encontramos. Lá vê-se tudo, portanto, para os adeptos, é o melhor circuito do mundo, dado que não conheço outro em que isto aconteça”.

 

Esta é uma característica que também agrada a Jordi Vila, o chefe de equipa da Team VRT: “uma das coisas que mais me agradam neste circuito é que é como um estádio de futebol, todos podem ver todas as curvas”.

 


Na verdade, o Circuit Ricardo Tormo foi concebido, essencialmente, para as motos, resultado daí um traçado com um longo encadeamento de curvas como é explicado pelo piloto da BMW Motorsport España. “É um circuito diferente. É um traçado desenhado mais para o motociclismo, com combinações de curvas muito rápidas e outras mais lentas com travagens em apoio, muito técnico. Na verdade é um circuito muito divertido, dado que, com as curvas rápidas, a velocidade média é muito elevada”, sublinhou José de los Milagros, que faz equipa com Nerea Martí, natural de Valência.

 

Borja Hormigos aponta para alguns dos desafios da pista valenciana, enfatizando as zonas mais quentes do circuito. “Tem uma recta muito curta, atrever-me-ia dizer que é a mais curta de todo o campeonato. As zonas de ultrapassagem mais claras são as travagens para as curvas 2, 8 e 14. Alterna zonas muito rápidas – curvas 1, 3, 7 e 12 – com outras mais técnicas – curvas 8, 9, 10 e 11. É preciso, ainda, dar uma menção especial para a grande curva final, que acaba a fechar para a 14, que deriva para a recta da meta”, afirmou o companheiro de equipa de Héctor Hernández no BMW da Autoworks Motorsport.

 


Jordi Vila, cuja equipa coloca em pista um Mercedes AMG GT4 para Salvador Tineo e Luis González, aponta que apesar de as velocidades não serem muito elevadas, as características do Circuit Ricardo Tormo levam a que sejam cometidas algumas ‘faltas pessoais’ por parte dos pilotos. “Não é um circuito de alta velocidade, mas há zonas com travagens com muitas forças laterais, sendo importante ser muito hábil ao volante para não cometer erros”, afirmou o responsável da Team VRT.

 

Para além dos aspectos técnicos relacionados com o circuito em si, José de los Milagros não deixa de apontar algumas atracções turísticas que fazem a diferença tanto para adeptos como para pilotos: “é uma zona de praia perto de Madrid e de Sevilha, portanto, pode-se aproveitar para ir à praia, para comer uma paella, um dos pratos mais tradicionais da zona de Valência”.

 

O Circuito Ricardo Tormo, em Valência é a terceira etapa do Iberian Supercars e Supercars Jarama RACE e disputa-se nos dias 28 e 29 de Setembro, dentro de pouco mais de uma semana, sendo a entrada livre e as corridas transmitidas nas redes sociais e na A Bola TV.



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